O Blues tem raízes profundas na história americana, e particularmente na história dos negros dos Estados Unidos. Aqui, uma observação: embora ainda não saibamos (talvez nunca) ao certo, é possível que a “música” (som com melodia e ritmo) tenha se desenvolvido originalmente (milhares de anos atrás) como um meio para coordenar e sincronizar o movimento humano coletivo, tais como a caça ou a agricultura. Ainda hoje, basta juntar um grupo de pessoas que ela aparece naturalmente, como por exemplo para acompanhar uma atividade de um grupo de pessoas, seja uma caminhada nas montanhas, ou a construção de um telhado.
É de se supor que aqueles que se destacavam nessa atividade atingiam um status social importante, assim como os xamãs e caçadores mais talentosos. Não é bom esquecer que a música quase sempre esteve no papel de “contadora de histórias” ou de “transmissora de mensagens”. Como nas músicas religiosas. Porém, em algum momento as pessoas comuns começaram a criar canções próprias, com as SUAS PRÓPRIAS histórias, coisas das suas realidades próximas, ou “folk” músicas. Essas músicas não eram heróis ou sobre Deus, mas sobre as alegrias e tristezas da vida cotidiana. E é nesse contexto de proximidade, simplicidade e força (realçada pela realidade) que o Blues nasce / evolui. E se é ponto pacífico que o Blues teve origem nos Estados Unidos, nas plantações do Sul no século 19, já não podemos dizer que houve “um inventor” do Blues.
Foram muitos. Seus inventores eram escravos, ex-escravos e descendentes de escravos-meeiros afro-americanos, que cantavam sobre como eles trabalharam em campos de algodão e hortaliças. É geralmente aceito que a música evoluiu do “spirituals” Africano, cantos Africanos populares, canções de trabalho, cantos de campo, e outros autores considereram também a influência de hinos evangélicos.
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